Salvador, 24 de maio de 2015

A sinceridade coletiva na reorganização popular

Data: 24/05/2015
14:11:32

“Não podemos fazer qualquer recuo neste momento em que somos perseguidos muito mais pelos acertos dos governos do PT, que mudaram a realidade social da Bahia e do Brasil”, disse o deputado Marcelino Galo no ato de lançamento do manifesto de setores do partido intitulado “Avante, camaradas”.

Homem de ideias respeitáveis, que os brasileiros sedentos de justiça social gostariam de ver aplicadas no país, o parlamentar, no entanto, não pode simplesmente relevar o grave erro de conduta das mais altas instâncias petistas, que macularam a imagem e a história do partido de modo, parece, irremediável.

Sem a autêntica raiz popular, que um dia teve, o PT tornou-se uma legenda absolutamente comum, incapaz de capitanear um processo de transformação que venha da alma ideológica e possa agregar, pela credibilidade, outros setores eventualmente focados em igual objetivo.

Sem essa sinceridade coletiva, é lamentável, mas projetos políticos de esquerda com verdadeiro cunho popular não vão a lugar nenhum. Será preciso muito tempo e debate para se pensar concretamente na reorganização de um sistema de forças desgraçadamente dispersas nos anos recentes.



Na terra das carências eternas

Data: 24/05/2015
14:09:14

Lançou-se em Barreiras o II Manifesto contra a Morosidade do Poder Judiciário. E sob a chancela de gente mais que autorizada a fazê-lo: advogados, juízes, servidores, promotores e, claro, o povo, cliente desassistido da “prestação jurisdicional”.

Foi o segundo, mas poderia ter sido o enésimo, tantas são as décadas em que essa reclamação é feita. Foi em Barreiras mas poderia ter sido em qualquer cidade brasileira, pois se trata de doença nacional incurável.

Foi sobre a lentidão da Justiça, mas poderia ter sido sobre vários outros problemas, sem perspectiva de solução à vista, que afligem diariamente a sociedade, como a morte por falta de atendimento médico, a caduquice do Código Penal, a falta d’água no sertão, a chuva nos centros urbanos...



Churrasqueiros de todo o mundo, uni-vos!

Data: 24/05/2015
14:07:35

Quando os bandidos dispõem de moderna tecnologia para consumar seu maligno desiderato, de aviões a internet, de metralhadoras a explosivos de alto teor, eis que pode vir uma lei para proibir, por causa dos recentes episódios no Rio, que as pessoas portem “armas brancas”.

Vêm a ser, para quem ainda não as conheça, facas, facões, estiletes, chuços, punhais, espadas, enfim, qualquer instrumento perfurocortante que, como tal, possa provocar lesões e causar a morte de quem por um deles for atingido.

Como o senso comum – voltamos ao tema – está prevalecendo no Brasil, é possível essa proibição ocorra em breve, embora desde já haja tendência a isentar de crime os vendedores de coco, jardineiros, açougueiros e atiradores de facas em circos. Muito nos tranquiliza, também, o prévio anúncio de que serão liberadas lâminas inferiores a dez centímetros.

Por outro lado, sabem as autoridades que significativa parcela da população brasileira tem o churrasco como verdadeira religião. Muitos levam, no porta-malas, grelhas, sacos de carvão, tábua, sal grosso e, naturalmente, facas e aqueles garfões de duas pontas altamente letais.

Manda, portanto, o bom senso – não mais o senso comum – que esse projeto agora desarquivado na Câmara dos Deputados tramite sob muito discussão e ampla análise para evitar danos sociais inestimáveis e prejuízo à economia – ou será que a Tramontina não deu dinheiro para a campanha de ninguém?



Sem cedilha

Data: 24/05/2015
14:02:36

Será lançada no Rio de Janeiro a campanha “Faca amor, não faca a guerra”.



Pena de morte: o Brasil nas piores companhias

Data: 23/05/2015
21:54:40

Apenas por força de expressão, sem preocupação de estatística precisa, 90% da população brasileira querem a pena de morte, castigo que tem os Estados Unidos como único país “civilizado” e “democrático” em que está em vigência.

Seus companheiros no top ten do lúgubre ranking de execuções são, entre os mais expressivos, China, Rússia, Coreia do Sul e Japão. O “terceiro-mundismo” é representado por Índia e Cuba.

Estima-se em 58, de mais de 200 países do planeta, a aplicação da pena de morte para crimes comuns, a maioria asiáticos e africanos,. Muitos sob governos ditatoriais endêmicos ou subordinados a diretrizes religiosas fundamentalistas. Que tal Afeganistão, Sudão, Irã, Somália, Burundi?

Querem acrescentar-lhes a companhia do Brasil, justamente um marco do catolicismo do Novo Mundo que somente adota essa legislação radical para crimes militares em tempo de guerra e, possivelmente, país que a praticou há mais tempo pela última vez, no século XIX.



Governador resiste sobre massacre do Cabula

Data: 23/05/2015
21:56:47

Como se acredita na humanidade de propósitos do governador Rui Costa, deve ser atribuída a um erro de análise o entendimento de que o Estado está diante de “uma guerra não declarada” no tráfico de drogas, pois “nem no Estado Islâmico se mata 45 mil pessoas assassinadas por ano como se mata aqui pelo tráfico e pelo crime”.

O governador comentava, num fórum oficial, o assassinato de três jovens e um policial, e se pode deduzir que, na sombra de seu pensamento, estão de volta às manchetes as 12 mortes do Cabula. Independentemente de mais luz que sobre o episódio venha a jogar esse ou aquele inquérito, Rui, no íntimo, sabe que foi um massacre.

Na época da ocorrência, sua primeira reação foi a metáfora do “artilheiro diante do gol” para explicar disparos que, a despeito de terem sido feitos nas proximidades de um campo de futebol, nenhuma relação guardam com o nobre esporte bretão – muito ao contrário, cheira a necrotério.

Depois de um período de reflexão e reequlíbrio, o governador, em torno desse mesmo assunto, volta a revelar inconformidade com o que as evidências periciais e a posição de entidades respeitáveis, como  a OAB e o Ministério Público, atestam. A alegação de esperar o laudo da Polícia Civil – outra entidade respeitável na matéria – parece mera protelação.

Não é que, por um desses acontecimentos inesperados que nos acometem, não possa o curso das investigações mudar, mas a experiência histórica indica como caminho mais sensato, especialmente pelo comandante-mor das forças policiais, renunciar à linguagem beligerante, ainda mais sem dados reais que a embasem.

Quando diz que “em muitos órgãos de direitos humanos inexiste a preocupação quando quem vem a óbito é um policial militar”, Rui envereda por uma trilha pedregosa, revogando, com jargão dispensável, o discurso de seu partido e a ação de muitos dos seus militantes expressivos no tempo de oposição  – por que não dizer, um estímulo à matança.
 



Inteligência e coragem para evitar senso comum

Data: 23/05/2015
15:36:24

Não é verdade que “o tráfico” seja o responsável por tudo. Pela linguagem oficial, vivemos num grande negócio de drogas, com consumidores em número expressivo para criar um mercado capaz de gerar, no cotidiano, uma disputa mortal por “pontos de venda”.

O que existe de fato é a luta dos substratos da sociedade, formados sem cidadania e sem perspectiva, pela sobrevivência a qualquer custo, que estimula a competição nos níveis mais primitivos, e nisso se inclui o tráfico, mas também os assaltos, roubos, delitos sexuais, concorrência econômica e até a motivação passional.

O poder dominante, que historicamente pouco fez para o desenvolvimento social – hoje nome de tantas secretarias por aí –, agarrou-se ao rótulo do narcotráfico para não admitir incompetência e desídia na expansão da violência e da criminalidade, causa da desgraça generalizada da maioria da população.

Optar por tal interpretação da realidade é referendar o senso comum pela instituição da pena capital. E o senso comum, em geral, é mau conselheiro, como se pode ver na “compreensão” do “distritão” e no apoio do impeachment da presidente da República.



Empreiteiros da morte

Data: 23/05/2015
15:33:08

Verdade seja dita: radialistas boquirrotos e semialfabetizados insuflam a Polícia Militar a agir fora da lei e dizem que é isso que o povo quer.



Pensamento do dia

Data: 23/05/2015
15:32:25

O bom cidadão seguirá até as más leis para não estimular o mau cidadão a violar as boas. (Sócrates)
 



Deputado quer audiência para Paraguaçu

Data: 21/05/2015
15:33:18

Numa última cartada, mas que provavelmente não dará resultado, o deputado Hildécio Meireles (PMDB) articula uma audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir a crise no Recôncavo decorrente da paralisação das obras do estaleiro do Paraguaçu, em Maragogipe.

O que era o “sonho de industrialização” da região e chegou a levar a vários municípios, incluindo Saubara, Nazaré e Santo Antônio de Jesus, entre outros, a esperança de “uma nova etapa de desenvolvimento”, transformou-se, segundo o deputado, “no pesadelo do desemprego”.

Já foram investidos no empreendimento R$ 2,7 bilhões, dos R$ 3,2 bilhões previstos, “e esses recursos estão lá, parados, como se tivessem sido jogados fora”, afirmou Meireles, em discurso na tribuna da Casa.



Festa política ficou no passado

Data: 21/05/2015
15:31:45

O efeito maior foi em Maragogipe, onde o comércio “caiu 80%”, mas o deputado entende que, pela dimensão da empresa, “houve sério prejuízo para a economia da região e da Bahia”.

Definindo como “efeito dominó” os fatos negativos nos diversos municípios, com hotéis, restaurantes e outros serviços subitamente fechados, Meireles citou Nazaré, onde “parou a construção de um condomínio com 1.600 casas para os funcionários do estaleiro”.

O deputado comparou a situação atual com a de três anos atrás, em julho de 2012, quando do lançamento da pedra fundamental da obra. “Foi uma festa, foi um evento político, estavam lá o governador Jaques Wagner, a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, ministros...”



Suave é a noite

Data: 21/05/2015
15:30:08

Em tempo: o deputado Hildécio também lamentou que a crise tenha levado à falência o prostíbulo local pela queda de frequênca de trabalhadores de outras cidades, numa prova, aliás, de que não se fazem mais nativos como antigamente.

“Nem o bordel suportou”, declarou o ilustre parlamentar, e “quebrou”, pela ausência dos que “iam à noite se distrair”.



Tecnologia de duas caras

Data: 21/05/2015
15:29:12

A cena registrada pela câmera de segurança é clara: o cidadão estaciona o carro dentro da garagem de porta automática, e antes que esta se feche entra um de quatro assaltantes.

Ao percebê-lo, possivelmente pelo retrovisor, enquanto o bandido talvez não o possa ver por causa das películas nos vidros do veículo, o motorista, que é um policial civil, já o recebe atirando, protegendo a própria vida e a da família.

Não há o que discutir: a limpeza da imagem o isenta totalmente de crime. A dúvida é quando ocorre o oposto e o policial é flagrado, no filme, matando sem necessidade ou agredindo pessoas indefesas, e são as vítimas e parentes que têm de esperar longos anos sem uma solução.



A desarticulação de Elmo Vaz

Data: 21/05/2015
15:27:13

Nada de novo na postura do ministro Jaques Wagner com relação à perda para o Piauí do comando da Codevasf, quando de início calou-se e só veio a manifestar-se depois que a bancada dos senadores baianos protestou.

Wagner jamais se chocaria com o governo federal por qualquer interesse baiano, como sempre foi sua conduta mesmo no governo do Estado. A oposição cansou de acusá-lo de fazer qualquer sacrifício para não desagradar os presidentes Lula e Dilma nem a cúpula nacional do PT.

No meio político, aliás, desconfiou-se de que a demissão de Elmo Vaz era um caso sem jeito depois de anunciada a participação do ex-governador, na sua condição de “grande negociador”. Pelo menos ajudou a esclarecer por que não foi colocado na articulação política de Dilma.



Uma letra muda muita coisa

Data: 21/05/2015
15:25:55

Imaginava-se, talvez, que poderia ser instituída a Codevazf.



Válido só para baianos

Data: 21/05/2015
15:23:38

A lógica para a nomeação de Felipe Mendes para a Codevasf é a mesma de sempre: com a governabilidade em frangalhos, o importante é assegurar a “lealdade” do PP, já que a bancada desse partido não está tão solidária nas votações na Câmara dos Deputados.

O PT é “de casa”. Tem a presidente da República, a maioria dos ministérios. Ainda mais sendo o da Bahia, que detém o governo estadual, tem a obrigação, nesta grave quadra, de dar sua ”cota de sacrifício” para que novas derrotas não sobrevenham em Brasília.



Representação contemporânea

Data: 21/05/2015
15:21:12

Um cidadão, um policial.



Estacionamento seria mais útil no lugar do casario

Data: 20/05/2015
22:34:50

É com ar, a esta altura da vida, de resignação que vemos a matéria de telejornal nacional referir-se, pomposamente, a “casarões históricos” da Conceição da Praia, um dos quais, bem juntinho do Elevador Lacerda, foi esmagado por um deslizamento de terra, matando uma mulher.

Até dias atrás, as chuvas haviam causado desabamentos e 19 mortes onde comumente isso ocorre: na periferia das encostas e vales ocupados irregularmente, sempre expostos a desmoronamentos e inundações, como nunca deixam de registrar os textos jornalísticos, citando as “zonas de risco”.

Como a cena mudou, com a segunda morte em menos de uma semana naquela mesma região central, berço da cidade e uma de suas grandes atrações turísticas, é inevitável a observação de que a multicentenária Salvador perde parte de sua história – um “charme” a mais em qualquer reportagem.

A mesma imagem, porém, contradiz essa ideia, ao mostrar os imóveis vizinhos, na verdade trêmulas paredes descoradas, tomadas pelos fungos, sem portas nem janelas, telhados arrebentados, moradia de indigentes, umas cascas urbanas prontas a cair sobre a cabeça de quem estiver perto.

Imagina-se o visitante sequioso por passear pelo passado da primeira cidade do país, jubiloso até a alma por tão subida emoção, sem saber que pode voltar para casa num ataúde somente por ter transitado numa calçada. Ou mesmo um nativo no afã diário, desavisado da iminência do desastre.

Menos hipocrisia do que chorar os mortos e lamentar a degradação do patrimônio arquitetônico colonial seria demolir todo o quarteirão e fazer um estacionamento para as festas, que parecem ser a nova vocação do Comércio.



Vem pra rua

Data: 20/05/2015
22:30:34

Parte considerável da população soteropolitana vai ficar ao léu se cumprir a determinação da Prefeitura de deixar imóveis em “áreas de risco’.



Inaugurações no Sudoeste

Data: 20/05/2015
22:29:54

O deputado Zé Raimundo (PT) anunciou para sábado a inauguração das rodovias BA-148, ligando Guajeru a Malhada de Pedras, e BA-026, uma extensão até Rio do Antônio, totalizando 50 quilômetros de pavimentação.

E não se fez de rogado para provocar: “É a região onde o deputado Luciano Ribeiro recebeu muitos votos. Ele é da oposição e deve estar feliz também, pois viu a estrada dos governos Wagner e Rui chegar, com o apoio de Dilma e Lula, melhorando as condições do sertão”.

Luciano, que naquele momento exercia sua função de líder do DEM, fez que não ouviu, e falando logo a seguir apenas designou o próximo deputado do seu bloco a discursar.



Debate: cidade e discriminação

Data: 20/05/2015
22:28:14

A relação entre políticas urbanas e racismo em Salvador será o tema central da nova edição do projeto “A Cidade que Queremos!”, segunda-feira, às 18 horas, no Centro de Estudos Afro-Orientais, no bairro 2 de Julho.

Os debates, com mediação da urbanista Glória Cecilia, serão focados nas questões do racismo, preconceito e discriminação, que atingem, sobretudo, os jovens negros, mulheres, transgêneros, além de outros grupos não hegemônicos.

Os movimentos Desocupa e Nosso Bairro é 2 de Julho, organizadores do evento, citam como exemplo dessa situação perversa a recente chacina pela Polícia Militar de 12 jovens negros no Cabula, “fato que articula desigualdades urbanas e racismo na capital”.



A Nasa é aqui

Data: 20/05/2015
22:27:07

“Viatura da PM capota ao seguir suspeito em ônibus”, diz a notícia de A Tarde de hoje.

Só pode ter sido um ônibus espacial.



Civilização à vista

Data: 20/05/2015
22:26:25

A foto do governador Rui Costa e do prefeito ACM Neto com o ministro Gilberto Kassab para tratar da tragédia das chuvas em Salvador traduz um novo espírito na relação entre os Poderes no Estado, levando em conta a tradição da política local.

Não se sabe onde isso vai dar, sendo muito improvável, por exemplo, algum desdobramento bombástico ou pelo menos excitante, como uma aliança futura ou entendimento sobre candidaturas.

Mas transmite uma sensação de responsabilidade com o interesse público que afasta as divergências e até ódios partidários. A postura de Rui indica preocupação autêntica com o sofrimento da população – ele podia apenas dar assistência à cidade, botar a máquina para apoiar.

A presença ao lado de Neto em gabinetes federais atrás de dinheiro e soluções o credencia. O prefeito, por seu lado, está numa situação mais passiva. Tem de agradecer a ajuda, embora lhe caiba cuidar para que não seja uma manobra demagógica, e corresponder ao gesto da boa convivência institucional.



Tapa-buraco

Data: 20/05/2015
22:24:36

Xodó da administração municipal e objeto de mudanças de tráfego muito festejadas, a Avenida ACM está uma lástima para uma obra recém-terminada no trecho do Iguatemi em direção ao Parque da Cidade.

Seria preciso, nesta fase aguda de chuvas, uma atenção especial para evitar a degradação de uma realização que deveria ser modelo.



Não respeitaram a fera

Data: 20/05/2015
22:22:59

Do vice-governador João Leão, minimizando a violência e a criminalidade na Bahia: “Eu mesmo fui assaltado junto da Torre Eiffel”.



Tratamento tropical

Data: 20/05/2015
22:21:51

“Vossa excelência”, “sua excelência” e “excelentíssimo senhor” é como devem ser chamados os delegados da Polícia Federal no Amapá, segundo desejo do corregedor-geral do órgão no Estado. Só dando uma banana ao cidadão.
 



O país que só tem dois juízes

Data: 19/05/2015
13:55:19

Brasileiros vibram com os desdobramentos da Operação Lava-Jato, acreditando que estamos ingressando numa nova etapa da história, em que políticos e grandes empresários são presos e indiciados sob a acusação de crimes diversos.

Ante tanto entusiasmo, contudo, cabe um pouco de prudência, pois a verdade é que já vivemos antes fases assim que não tiveram consequência – ao contrário, o quadro sempre voltava, e agravado.

Um exemplo é a deposição do ex-presidente Fernando Collor, no começo da década de 90. Quando se imaginava que a atividade política entraria nos trilhos, surgiu o escândalo dos anões do orçamento, levando à cassação de diversos deputados.

A eleição de Lula, em 2002, despertou esperanças, logo afogadas pelo escândalo do mensalão, que novamente resultou em prisões e condenações de importantes quadros de partidos da coalizão governista.

Quando se pensava que a lição havia sido suficiente, explode o petrolão, multiplicando, como em todos os casos anteriores, os valores perdidos para a corrupção e batendo um novo recorde – nunca antes se roubou tanto na história deste país.

Não há, portanto, razão para otimismo exagerado. E um dado é conclusivo sobre isso: temos um Poder Judiciário com dois magistrados – Joaquim Barbosa, que se aposentou, e Sérgio Moro, que se empenha em fazer sua parte.

É mesmo incrível que num país tão grande, de tantos crimes, tenhamos de depender da competência, determinação e honradez de apenas dois juízes. Qualquer pesquisa mostrará que a população só conhece esses dois.



Saldo negativo

Data: 19/05/2015
13:52:56

Não há verbas para hospitais e escolas, as obras param por falta de dinheiro em todo o país, e o governo se reúne para fazer cortes no orçamento que podem chegar a R$ 80 bilhões.

Donde se deduz que serão cortes surrealistas, porque, se não há dinheiro para nada, cortá-lo de onde?



A gradação do roubo segundo Wagner

Data: 19/05/2015
13:52:06

Tem razão o ministro da Defesa, Jaques Wagner, quando diz que “não vamos encontrar um partido que seja detentor de toda a pureza imaginada”.

A questão é que o PT institucionalizou a corrupção. Fez do assalto aos cofres públicos uma concepção de exercício do poder e de disputa pelo poder.

Fora o fato de ter chegado à presidência da República, Lula à frente, como depositário de toda a esperança ética da sociedade brasileira.

Para concordar com Wagner, no entanto, não é preciso esse apelo retórico. Basta reconhecer que o ex-ministro Carlos Lupi também tem razão: o PT exagerou.



Mantenha distância

Data: 19/05/2015
13:50:52

Na entrevista concedida à revista Época e transcrita pela Tribuna da Bahia, Wagner só não foi feliz ao dizer que conhece as ruas.

Pelo menos enquanto foi governador da Bahia, por elas não transitou.



Pela estrada afora

Data: 19/05/2015
13:49:38

Lado a lado no jornal,
bichos xarás intervêm:
Lobão ministro, do mal,
Lobão músico, do bem.

O lobo bom, panelaço,
querendo Dilma impedir,
o lobo mau, estardalhaço,
pra escapar de CPI.



Cardim pode sair em Lauro de Freitas

Data: 19/05/2015
13:48:36

Fundador da Associação dos Moradores de Vilas do Atlântico e com um desempenho que o credenciou como liderança comunitária, o empresário Mauro Cardim tem o nome defendido para candidato a prefeito de Lauro de Freitas.

Amanhã em Brasília para reuniões com dirigentes nacionais de partidos que desejam sua filiação, a exemplo do PMDB e PDT, Cardim quer discutir, para entrar na disputa, uma pauta de objetivos a cumprir caso vença a eleição.

O projeto inclui requalificação de trechos da orla para criar espaços para idosos, portadores de necessidades especiais e crianças e investimento prioritário em saneamento, mobilidade urbana, educação e saúde nas comunidades periféricas.
 



Os poderosos que se entendam

Data: 19/05/2015
13:47:22

A quem não está acostumado aos meandros da política, surpreendeu na imprensa fotografia do lançamento da biografia do ex-senador João Durval  em que aparecem, sorridentes, entre outros, o dono da festa, seu filho ex-prefeito João Henrique e o prefeito ACM Neto.

Durante a campanha de 2012, o candidato Neto recusou-se terminantemente a criticar o então prefeito João Henrique, embora este fosse, tecnicamente, um adversário, e fazendo desastrosa administração.

Dizia-se que eram aliados por debaixo do pano. Após o pleito, ainda que João Henrique se arrogasse méritos por uma parte da vitória, Neto dele se distanciou ao denunciar situações de despautério que encontrou na Prefeitura.

João Henrique enfureceu-se a tal ponto que, passada a quarentena, decidiu que disputaria novamente o cargo, sabendo intimamente que não tem chance, apenas para tirar votos do atual prefeito.

Tudo indica que, agora que o PTN – outro magoado com Neto – movimenta-se no sentido de atrair João para seus quadros e lançá-lo à Prefeitura, Neto viu mais um sinal amarelo acender-se à sua frente.

O comparecimento ao lançamento do livro, portanto, pode ser o mimo inicial de uma manobra de aproximação. Resta saber se João, como se diz popularmente na Bahia, vai comer essa gaiva.



O pecado capital de FHC

Data: 19/05/2015
13:45:08

Todos os méritos de Fernando Henrique Cardoso sucumbem ante seu maior demérito: a aprovação da emenda constitucional que autorizou a reeleição para o Poder Executivo – presidente, governadores e prefeitos -, instituto que a história do Brasil jamais registrara.

O ex-presidente cometeu duplo deslize: legislou em causa própria, o que é uma transgressão ética inominável, e, sendo um intelectual profundamente conhecedor da política e da alma brasileira, abriu mais ainda as portas da corrupção, melhor dizendo, escancarou-a, em todo o país.

É um milagre que, ainda assim, possa ser colocado moralmente acima dos que o sucederam no poder.



Ninharia federal

Data: 18/05/2015
17:28:02

Não é nem o dinheiro, mas apenas uma portaria: o Ministério da Integração Nacional “autorizou” a liberação de R$ 1,7 milhão para obras e serviços em Salvador para reparar danos da chuvas.

Interessante é o prazo de execução: 180 dias. Ora, num desastre desses, com 20 mortes e mais de 500 pedidos de socorro da população, essa verba, se vier, acaba no primeiro dia.



Nada para as crianças é o recado da história

Data: 18/05/2015
16:58:35

O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, o popular Cedeca, está para fechar as portas por falta de dinheiro, e assim deixar de prestar assistência a menores atingidos por todo tipo de violência física e psicológica e, sobretudo, de dar continuidade a um trabalho de envolvimento da sociedade no combate a esse crime.

A defesa da juventude, no entanto, está na boca de qualquer político. Experimente algum repórter perguntar sobre isso – do governador ao menos votado dos vereadores de todo o Estado, e todos terão na ponta da língua o discurso de que precisamos amparar nossos jovens, protegê-los das drogas, da agressão física, do abandono, da ignorância.

De campanha em campanha “institucional” que de vez em quando são feitas para “mobilização” e “discussão” do assunto, vivemos um problema que só se agrava. No Brasil não há Estado para esta mais elementar providência, a de preservar e promover a matéria-prima humana que, para o bem ou para o mal, exercerá seu papel no destino do país.

As pessoas não se dão conta de que os anos passam, as gerações se sucedem, e nos debatemos com a mesma crucial questão, enquanto fingimos grande preocupação e frequentamos as sessões especiais e audiências públicas que se repetem em deprimente arremedo de cidadania.



Asfalto sofrível

Data: 18/05/2015
16:56:51

Tá certo que é muita chuva, mas é preciso avaliar a qualidade do asfalto em que a Prefeitura empregou R$ 200 milhões para recuperar a pavimentação da cidade.

Buracos aparecem constantemente em trechos novos e outros que são tapados reaparecem imediatamente.

De positivo, certo empenho na reparação dos problemas, ainda que não esteja dando para o gasto.
 



Esquecimento

Data: 18/05/2015
16:55:48

Em entrevista na manhã de hoje à Bandnews FM, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo, disse que todos os prefeitos de Salvador desde Manoel Castro (1983-1986) trabalharam na proteção das encostas da cidade.

Citou Lídice da Mata, Antonio Imbassahy e João Henrique. Esqueceu-se de Fernando José (1989-1992), já falecido, justamente o que mais executou obras de contenção, não só na periferia como nas regiões centrais.



Senadores “vitalícios”

Data: 18/05/2015
16:54:47

A deputada Moema Gramado (PT) também falou em rádio, mas na Metrópole. Estava aterrorizada pela possibilidade de aprovação do “distritão” – voto majoritário para deputado e vereador – e de dez anos de mandato para senadores, duas medidas incluídas no projeto de reforma política.

O “distritão”, realmente, vai terminar de desgraçar o que sobra de partido político no Brasil, porque não haverá representatividade num sistema em que a proporcionalidade dos votos dados a cada legenda não signifique nada.

Quanto à extensão do mandato dos senadores de oito para dez anos, quando chegou a se falar em até redução para cinco, vale lembrar Darcy Ribeiro, para quem o Senado é melhor que o céu porque não é preciso morrer para entrar. A frase deve ter sido inspiração para, agora, querer-se levar o mandato à eternidade.



Comissão vota parecer amanhã

Data: 18/05/2015
16:52:53

Entretanto, é ainda sob um clima de incerteza que o parecer do relator Marcelo Castro (PMDB-PI) será votado amanhã pela comissão especial da reforma política. O “distritão” personaliza as eleições, pois nomes mais conhecidos ou mais fortes por algum motivo especial serão os mais votados – e eleitos.

O deputado desejava o voto distrital misto, em que metade do parlamento é eleita em distritos distribuídos pelo Estado, em confrontos majoritários isolados, e a outra metade vem da proporcionalidade dos votos dados aos partidos, evitando a excessiva regionalização das decisões.

O relator acredita que o a tendência hoje existente na Câmara de aprovação do distritão decorre da pressão de parlamentares que, em suas bases, têm garantia de votação expressiva, o que os estaria movendo por “instinto de sobrevivência”.




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