Salvador, 31 de maio de 2016

Demissão de ministro “faz parte” do plano

Data: 31/05/2016
14:28:50

Em toda essa nova confusão que se estabelece no país, com a queda do segundo ministro do governo Temer em sete dias, o aspecto mais importante foi a nota emitida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, responsável pela indicação de Fabiano Silveira para o Ministério da Transparência.

É que houve um evidente mal-estar pelo fato de Renan ser uma peça fundamental na condução política da fase atual do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff , e nessa condição poderia ser considerado ou mesmo julgar-se intocável em suas nomeações.

Realmente, os ministros chegaram aos cargos pela lógica indireta dos votos da Câmara e do Senado, dos quais depende Temer, tanto por causa da futura validação do mandato precário como também – condição básica do sucesso – pela aprovação, nos dias atuais, de medidas que possam salvar a economia ou sabe-se lá o quê.

Uma verdade definitiva, no entanto, se impõe: sem presidente, não haverá outros ministros. Sem presidente, não haverá perspectiva – que já é quase nenhuma – de escapar a operações policiais em curso e em gestação e, sobretudo, sem presidente, haverá eleições diretas muito em breve. A Renan não restava senão refrescar.

Assim, recusar a prerrogativa de “indicar, sugerir, endossar, recomendar” ou mesmo “opinar” sobre a escolha de auxiliares de Temer, atribuindo tal postura à “independência entre os Poderes da República”, não representa nenhum ameaça de Renan, apenas um jogo de cena para a tarefa inútil de realçar a autoridade e a idoneidade.

O presidente Temer tem este trunfo, de ser a tábua de salvação de muitos que boiam por aí. Sobra-lhe espaço para prestar atenção à opinião pública e reforçar-se para a consagração final, caso não sucumba sob acusação pessoal incontestável, como tantas que têm ocorrido no Brasil moderno, e isso venha a determinar uma cassação “política” de sua chapa pelo TSE.

Em contrapartida, Renan, Jucá, Cunha e outros de igual jaez estarão plenamente conscientes da “cota de sacrifício” que precisam dar para a preservação de Temer, para que tudo não se esboroe antecipadamente, porque, afinal, enquanto há vida, há esperança.



Dois governos que começaram despencando

Data: 31/05/2016
14:25:20

A presidente afastada Dilma Rousseff inaugurou o uso da palavra “malfeito” para definir a velha corrupção, isso no primeiro ano de mandato, em 2011. No período de seis meses, demitiu seis ministros, digamos, suspeitos.

Não adiantou. Teve de amainar o ímpeto por uma questão de “governabilidade”, mesmo tendo sido uma recordista na República, trocando 86 ministros em cinco anos e quatro meses, um por intervalo de 22 dias.

Refrescando a memória sobre os que, pela ordem, dançaram de junho a dezembro daquele ano: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais, Wagner Rossi, Orlando Silva e Carlos Lupi.

Temer até pode superar esse número, material humano é o que não falta. Mas a tendência dos aliados será sempre acochambrar, porque ninguém está ali para brincadeira. Mesmo na cabeça dos senadores aos quais se atribui uma “revisão” do voto, a visão de Dilma no Planalto é um horror.



Xerocando

Data: 30/05/2016
21:48:38

Depois do ministro do Planejamento, caiu o da Transparência. Renomado articulista não se furtará de, mais uma vez, escrever: “Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros...”



Reforma ministerial

Data: 30/05/2016
20:29:59

Segue o governo, coitado,
Na sina triste e insana
De perder com o Machado
Um ministro por semana.



Imprensa desvencilha-se da acusação de golpe...

Data: 30/05/2016
13:25:00

Depois da divulgação de conversas de altos próceres da política brasileira expondo a trama, aparentemente nascida no PMDB, de fazer o impeachment, surgiu entre os apoiadores da presidente afastada Dilma Rousseff a esperança de reverter o processo, e ao fim do julgamento no Senado ela voltar ao cargo.

Sem entrar no mérito da questão – embora seja de acreditar que nem com a revelação do motivo espúrio de barrar a Operação Lava-Jato Dilma consiga escapar –, um aspecto é importante ressaltar: esvaziou-se no PT e aliados o discurso da participação da imprensa num suposto golpe institucional para derrubar a presidente.

No presente momento, os dois maiores veículos de comunicação do país – a Rede Globo e a Folha de S. Paulo -, levando com eles o resto da mídia, atuam em sentido exatamente oposto ao que levou os dilmistas a acusarem a existência de um “partido da imprensa golpista” funcionando a todo vapor.

Essa postura foi objetivo de especulação de Por Escrito, que em texto intitulado “Novo presidente terá ‘crédito de confiança’”, publicado no último dia 12, imaginava um grande acordo para livrar o presidente Michel Temer de uma cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Considerando que a classe política, o empresariado e o Poder Judiciário estariam envolvidos, o blog dizia que o êxito da articulação iria “depender apenas do papel a ser jogado pela imprensa tendo em vista seu patrimônio de credibilidade”.

Pois se nota agora que a mídia não cessou em sua cruzada, e, à medida que as baterias dos subterrâneos se voltam para os adversários do petismo, igualmente o noticiário exibe as mazelas da outra facção criminosa, a ponto de enfraquecer o próprio Temer – pela denúncia de seus auxiliares e até pelo questionamento do encontro com o presidente do TSE.



...e continua defendendo os próprios interesses

Data: 30/05/2016
13:22:22

Mas aparentemente não é o caso de nos darmos por satisfeitos com o desempenho daquela que, para Rui Barbosa, é “a vista da nação”. Os grandes conglomerados de comunicação apenas se pautam pelo que é melhor para eles, como atividade em si e como pontas de lança do setor econômico.

Há 50 anos, imediatamente após o golpe militar que acabou a democracia e inutilizou grande parte dos melhores cérebros do país, surgiu a Rede Globo como um dos pilares do controle social pelo regime, num mundo bipolarizado ideologicamente, em que, no cenário brasileiro, valia tudo para reprimir o “perigo comunista”.

O mundo mudou radicalmente, entretanto, a partir do marco histórico da queda do Muro de Berlim e, por complemento, com a revolução digital, que socializou parte substancial da informação. O Brasil “modernizou-se”, a função do Estado reduziu-se e não mais cabia a sombra do militarismo.

A Globo, como emblema do poder midiático, viu que se iniciava a era de ela própria exercer a manipulação integral, por isso transitando da crítica aos “anos de chumbo” em sua programação até o mais recente e discreto mea-culpa pela ditadura, no que se pode dar discrição a um evento desses.



A Globo assume o céu após anos de purgatório

Data: 30/05/2016
13:19:22

Certamente muito contribuiu para a mudança o crescente repúdio da sociedade à “ação global”, o qual se traduzia até por palavra de ordem nacionalmente conhecida exaltando a esperteza do povo e propondo colocar “abaixo” a emissora.

Quando o nome do mais alto dirigente da Rede Globo foi citado nos grampos clandestinos de Sérgio Machado, solicitado que foi por Dilma e Renan a conter a fúria do noticiário, viu-se que rejeitou a pressão sob o argumento discutível de que “não manda” e “não pode influir”, como está nas transcrições.

A situação foi “institucionalizada” abertamente logo em seguida pelo vice-presidente editorial do grupo, José Roberto Marinho: “O compromisso da Globo é com a notícia e com o público”, disse, em nota.

A emissora sabe que, assim, guardará o prestígio e a capacidade sem que seja necessário envolver-se com gangues políticas. Não livrou nem o velho amigo Sarney. Ficou para trás a nódoa do apoio aos assassinatos, desaparecimentos, tortura e outros atos de brutalidade do regime que por muito tempo ajudou a sustentar.



Top de linha

Data: 30/05/2016
13:16:56

É grande a expectativa por uma gravação com o presidente Michel Temer.



Culinária brasiliense

Data: 30/05/2016
13:16:19

Depois do “grampo do dia”, não há outro caminho: Sérgio Machado para ministro da Transparência. É o típico caso de fritar o porco na própria banha.



Ateu convicto

Data: 30/05/2016
13:15:32

Se é verdade que Temer, como disse Dilma, vai ter de ajoelhar para Eduardo Cunha, o maior problema é que ele não deve saber rezar.



Sem restrições

Data: 30/05/2016
13:14:55

Já que hoje a Globo é a guardiã da liberdade de expressão, deveria evitar aqueles ridículos asteriscos e sinais sonoros que substituem, nas gravações, palavras como “caralho”, “porra” e até “bunda-mole”, epíteto este dirigido por um desalmado à presidente Dilma.

Se não por outra razão, porque não há imoralidade maior do que os fatos que estão chegando ao conhecimento público. E, de censura, basta aquela que ela amargou mesmo antes de Roque Santeiro e da qual não quer mais saber.



Cientistas contra os Jogos não defendem “golpe”

Data: 28/05/2016
11:13:12

Se a presidente Dilma Rousseff ainda estivesse no cargo, é possível que a carta aberta de cientistas de todo o mundo à OMS e ao COI, propondo o adiamento ou a transferência dos Jogos Olímpicos do Rio, fosse tomada como mais uma etapa da conspiração internacional que teria sido encetada pelo impeachment.

Como não é o caso, é preciso refletir: as considerações feitas por 125 destacados membros da comunidade científica, entre cientistas, médicos e especialistas, inclusive de universidades respeitáveis, como Harvard e Oxford, apenas dão uma espécie de cunho oficial a uma convicção largamente difundida no país.

Como a Copa do Mundo, os Jogos vieram para o Brasil para a euforia de muitos, mas também despertando em outros pelo menos a preocupação com o grande dispêndio a ser feito por um país pobre, cuja população, em sua grande maioria, nem mesmo tinha acesso razoável aos mais elementares direitos, como saúde e educação.

Prevaleceram, no entanto, enfunados pelo interesse político indissociável de eventos desse tipo, os argumentos do fortalecimento da imagem do Brasil no exterior, da criação de empregos e, sobretudo, do “legado” que ficaria em obras públicas, apesar da evidente e consensual suspeita, enfim confirmada, de alta corrupção.



Da zika cidadã à falta de vacina contra a gripe

Data: 28/05/2016
11:11:19

Mesmo com a consumação da indicação do Rio e o início dos trabalhos, a dúvida quanto à realização dos Jogos era levantada a cada episódio da tradicional criminalidade violenta reinante na cidade. Por último, incorporou-se o colapso da saúde no Estado, fruto óbvio da virtual falência financeira que compromete todos os serviços públicos.

Os custos reconhecidos pela assim chamada Autoridade Pública Olímpica chegam aos R$ 40 bilhões, contra previsão inicial de R$ 29 bilhões, com as cifras definitivas ainda dependentes de atualizações, uma até junho e outra programada para depois dos Jogos. Só a “estrutura temporária” de arquibancadas e energia, somadas este ano, atingiu R$ 400 milhões.

O que mais dói no orçamento é a mentira do “legado”. Fora as obras que atrasaram ou não se concretizaram, como na Copa, a maior parte dos equipamentos não configura um investimento social compensatório, e em pouco tempo estará até deteriorada e abandonada pela previsível falta de manutenção.

Nações civilizadas tratam a saúde de outra ótica. No caso específico, autoridades na matéria consideram “desnecessário” que 500 mil pessoas de todo o planeta corram o risco de contrair e levar para seus países o vírus da zika, que adotou a cidadania fluminense. Mas vale lembrar a gripe H1N1, matando pessoas de norte a sul e sem vacina suficiente.



Testemunhas-rés

Data: 28/05/2016
11:09:06

O ex-senador Gim Argello, preso da Lava-Jato, chama 15 políticos como testemunhas de defesa. Quer dividir a culpa – ou arranjar um jeito de não levar nenhuma.



Modesta contribuição para a defesa dos Renans

Data: 28/05/2016
11:08:31

O objetivo das gravações feitas por Sérgio Machado com políticos do PMDB era, obviamente, comprometê-los, atendendo aos propósitos do acordo de delação premiada que planejava fazer para aliviar sua barra com o juiz Sérgio Moro.

Assim, uma ressalva é indispensável: é plausível que ele não estivesse, de sã consciência, atacando autoridades da República, como o procurador Rodrigo Janot, porque isso, em tese, seria ruim para ele. Tratava-se, portanto, apenas de ardil.

Por outro lado, a seus interlocutores, implicados em crimes diversos, interessava convencê-lo de que tudo ficaria bem, pois era clara a ameaça que sofriam, com frases do tipo “vai ser ruim pra todo mundo”.

Nessa estratégia, tranquilizar Machado era tarefa fundamental, donde não se pode afirmar que Renan, Sarney e Jucá necessariamente concordavam com os conceitos que emitiam, apenas queriam fazer parecer assim.

Por exemplo, Machado dizia: “Esse Janot é um mau caráter”. E Renan: “Mau caráter, mau caráter”. Machado avaliava a equipe da Lava- Jato: “Estão se sentindo o dono do mundo”. Volta Renan: “Dono do mundo”.

Com Sarney e Jucá foram muitas situações semelhantes. Os pobres coitados foram levados a dizer coisas que não queriam. Um fato que, bem aproveitado por caros advogados já em ação ou a ser constituídos, pode render bons resultados.



Solidariedade de grosso calibre

Data: 28/05/2016
11:06:43

Se a Odebrecht é uma “metralhadora ponto 100”, deve ter o apoio da “bancada da bala”.



Profecias de “Por Escrito”

Data: 28/05/2016
11:06:06

Em 28/08/10, no auge da campanha presidencial, este blog publicava nota sob o título “Quo vadis?” em que comentava o vazamento de declarações de renda de importantes políticos da oposição, e, numa referência à “popularidade” do então presidente Lula, acrescentou:

“Mas, se como nunca antes na história deste país, o povo acordasse para a realidade e um fato tão reles ameaçasse a candidatura de Dilma, bastaria Lula vir a público e dizer: ‘Fui eu que mandei violar o imposto desses tucanos para ver se eles estão roubando o dinheiro do Bolsa Família’.

“Não nos esqueçamos de que, em investida institucional anterior, no auge do escândalo do mensalão, quando se encontrava em Paris, Lula legalizou o caixa 2. Recentemente, absolveu José Sarney dos seus crimes e pecados. Segue em sua cruzada messiânica rumo ao amanhã desconhecido”.



Mercado de trabalho

Data: 28/05/2016
11:04:19

A prudência recomendaria que políticos que costumam usar as redes sociais – e são praticamente todos – tivessem um assessor nesses momentos para transformar em textos inteligíveis os pensamentos bons ou maus que lhes ocorrem.



Inversão de talentos

Data: 28/05/2016
11:03:17

A piada mais recente do “retorno” de Dilma ao cargo é um entendimento com os senadores para compromissos que cumpriria.

Não seria preciso muito: bastaria convencer seis, que, somados aos 22 a seu favor na votação da admissibilidade, completariam o número suficiente para barrar o impeachment.

A dificuldade é somente uma: para isso, seria necessário que fosse ela a malandra política, e não os senadores.



Técnica religiosa

Data: 28/05/2016
11:01:33

O deputado Sargento Isidório estende os tentáculos de seu filão mais poderoso: a Fundação Dr. Jesus instalou em Periperi uma unidade de serviço psicossocial e jurídico para as famílias de usuários de drogas.

Para quem vive o problema dentro de casa, é um apoio importante. A base é a mesma que orienta as instalações de acolhimernto de dependentes: transformar vidas através da religião, neste caso, com um caráter mais técnico.



Justiça seletiva

Data: 26/05/2016
14:22:17

A defesa do senador Romero Jucá quer saber do Supremo Tribunal Federal se são válidas as gravações feitas por Sérgio Machado de conversas com seu cliente que o revelaram cidadão altamente comprometido com atividades ilícitas.

O objetivo final lógico é preservar o senador de uma ação judicial que possa levar à extinção do seu mandato ou, em grau mais elevado, determinar sua prisão.

Isso quer dizer que Jucá gasta dinheiro – se é que não está sendo assistido às custas do Erário – para continuar ocupando cargo público relevante, como se fosse moralmente possível depois do flagrante que tomou aos olhos de todo o Brasil.

Marginais simples, pés de chinelo, que proliferam sem educação ou perspectiva nas favelas e periferias da pátria, não têm estoque de recursos que se assemelhe. São mortos friamente e a sociedade, sedenta de segurança, aplaude, inclusive muitos advogados.



Bahia aguarda esclarecimento sobre secretário

Data: 26/05/2016
14:21:00

Toda a imprensa noticiou e mesmo este blog não deixou, no dia, de fazer uma breve referência: há mais de uma semana o senador Walter Pinheiro foi oficialmente nomeado pelo governador Rui Costa para o cargo de secretário da Educação.

A esse respeito, duas coisas, particularmente, chamam a atenção: nem o secretário dignou-se de dirigir algumas palavras sobre seu projeto para área tão vital e carente nem seu suplente no Senado, Roberto Muniz, fez qualquer movimento no sentido de assumir a vaga.

No dia 16, o governador chegou a afirmar: “Ele deve assumir a pasta ainda hoje. A expectativa é de que ele traga a sua contribuição técnica para a secretaria", disse Rui Costa. Convenhamos que, para o alto nível em que se processam, são coisas muito estranhas.



O ainda senador legisla para o futuro

Data: 26/05/2016
14:19:42

Muito ao contrário do que diz, inclusive, o Diário Oficial, Pinheiro permanece senador, e foi nessa função que mais uma vez dedicou-se a sua atividade preferida nos últimos tempos de apresentar propostas de emendas constitucionais que variam do inconstitucional ao dispensável.

Primeiro, foi a PEC que antecipava, a fórceps, as eleições presidenciais, solução que propôs somente depois que era inevitável a queda da presidente Dilma Rousseff. Agora, ele quer mudar as regras do impeachment.

Crendo, possivelmente, que a cada quatriênio haverá alguém querendo afastar o presidente, o senador sugere novos prazos e procedimentos, mas, sobretudo, uma inovação: em caso de afastamento temporário do titular, o cargo será exercido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.

Perde, assim, o significado, a função de vice-presidente da República, o qual, pelo jeito, só assumiria em caso de renúncia ou morte. E se quebram dois elos da cadeia sucessória, justamente os representados pelos presidentes da Câmara e do Senado, malgrado a unção popular que tiveram para tal mister.



Da mandioca ao dobro da meta, segue o devaneio

Data: 26/05/2016
14:17:05

As hostes petistas ficaram ouriçadas com as gravações que trazem mais instabilidade à República, se é que isso é possível.

Ex-ministros e outros desempregados se animam, e a própria presidente afastada anuncia que incluirá as rumorosas peças em sua defesa no julgamento do Senado.

A postura pode ter alguma validade para o “público interno”, que, de fato, demonstra mais fanatismo que o razoável.

Contudo, é tempo perdido do ponto de vista da eficácia. Ainda que Michel Temer seja flagrado como reles ladrão, preso, destituído, cassado, desmascarado em toda a sua torpeza, Dilma não voltará àquela cadeira.



Pornografia curricular

Data: 26/05/2016
14:15:45

Num país onde as prostitutas relacionam o adicional noturno como reivindicação trabalhista, não é anormal que o ator pornô Alexandre Frota seja recebido pelo ministro da Educação e lhe entregue uma proposta sobre o conteúdo do ensino nacional.

Todos são direitos da cidadania que devem ser respeitados. No caso de Frota, alguma reação objetiva só poderá ocorrer após o anúncio de uma eventual decisão em nossas escolas e sobre nossa juventude com base nas ideias apresentadas.

Não recomenda, no entanto, o novo interlocutor do ministro Mendonça Filho, um fato já remoto: sua lista de presentes para o casamento com a atriz Cláudia Raia incluía até um apartamento. Isso é mais imoral do que seus filmes.



Lula não sabia, Dilma não sabia, Temer não sabia

Data: 25/05/2016
10:27:20

É com certa candura que os defensores do governo Michel Temer, ante a tempestade que sobre ele começa a desabar, destacam a “grande diferença” para o tempo do PT: agora, os ministros flagrados em crimes são imediatamente demitidos, enquanto antes eram protegidos a unhas e dentes pelos correligionários.

O argumento é tão raso quanto a vã tentativa de Romero Jucá de, primeiramente, permanecer ministro, depois, “licenciar-se”, e somente quando “caiu a ficha”, para usar expressão constante em seu colóquio fatal, compreender enfim que não tinha mais o que fazer na cena.

O que se ressalta nesse emaranhado de conversas, discursos e articulações é que Jucá sempre teve estreita ligação com Temer, que lhe delegou a presidência do PMDB quando precisou afastar-se e o nomeou entre seus ministros mais importantes, tanto que até cochichos em público lhes eram permitidos.

Na transcrição da fita do alçapão em que Sérgio Machado o apanhou, Jucá afirma textualmente que “Michel é Eduardo Cunha” – o que no Brasil de hoje poderia até ser capitulado como crime  – e,  por cima, acolhe todos os conceitos emitidos por Machado envolvendo o presidente, como “a solução mais fácil é botar o Michel”.

Recordemos que tudo isso transcorreu há mais de dois meses, constituindo-se numa clara evidência de que, sem questionar o merecimento do governo Dilma Rousseff, estava em curso uma trama para concretizar o seu impeachment.

A exemplo do que se disse do suposto alheamento do ex-presidente Lula ao que se passava no seu governo, desde o mensalão, e também da ignorância de Dilma sobre os desmandos na Petrobras, pode-se afirmar agora que seria desabonador para a inteligência policial de Michel Temer desconhecer, quando nada, o potencial delituoso de pessoa que lhe era tão próxima.



De cabo a rabo

Data: 25/05/2016
10:22:55

Se o governo Temer continuar tomando “soluções rápidas”, como se vangloriam seus apoiadores, é de se prever para breve uma reforma ministerial completa.



O ‘”boi de piranha” Jucá

Data: 25/05/2016
10:22:08

Da longa conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado, que já vai virando coisa do passado, dois outros trechos merecem ser chamados à memória.

O primeiro é aquele em que Juá propõe arranjar-se um “boi de piranha”, popularísima expressão que significa sacrificar alguém para que o restante – no caso, da quadrilha – possa ficar em paz.

Com sua demissão pouco espontânea do Ministério do Planejamento, Jucá talvez não tenha notado, mas é o próprio “boi de piranha” de Temer & Cia.



Premonição ao alcance de todos

Data: 25/05/2016
10:20:15

O outro trecho se refere a Renan Calheiros, que não teria se apercebido de que sua segurança estaria na preservação de Eduardo Cunha.

Corretíssimo. Embora com um considerável atraso para estes de tempos de decomposição vertiginosa da República, as baterias agora estão definitivamente assestadas contra ele.



Amigos, amigos, negócios inclusos

Data: 25/05/2016
10:19:12

Curioso é como alguns órgãos respeitáveis da imprensa nacional, mesmo depois da gravação, ainda falam na “habilidade” do senador Jucá nas negociações com políticos no Congresso.

As matérias dizem que ele “trouxe” para a base do governo diversos partidos, como PSDB, PR, PP... Ora, tudo à custa de dinheiro público escandalosamente esparramado. Nunca a expressão “negociação política” foi tão apropriada.



Linha sucessória

Data: 25/05/2016
10:18:19

Quem vai acabar assumindo a presidência interina do Brasil é Ricardo Lewandowski.



Dupla razão

Data: 25/05/2016
10:17:48

“Não era para combater a corrupção que queriam tirar Dilma”, declarou o sempre solícito ex-ministro Jaques Wagner.

De fato. Pelo menos do ponto de vista da sociedade, a incompetência também estava no escopo.



Sem retroatividade

Data: 25/05/2016
10:17:08

Mesmo que fosse alcançada a “delimitação” da Operação Lava-Jato, isso não eximiria os que já foram tragados.



Pela ordem

Data: 25/05/2016
10:16:33

Orgulha-nos ter uma classe política atilada. Os caras falam com propriedade: “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio”.



O pacto sinistro bota a cara de fora

Data: 23/05/2016
16:02:41

Para quem não acreditava em “fatos novos” na política, pelo menos nesta semana mais curta e de forte apelo religioso, eis que a segunda-feira raia trazendo uma fortíssima impressão: o Tribunal Superior Eleitoral não tardará a cassar a chapa Dilma-Temer, o que equivale a dizer que teremos eleições presidenciais diretas no fim do ano.

Há apenas dez dias, este blog, no texto “Temer deverá ser efetivado em julho”, duvidava de tal ocorrência, "capaz de gerar forte instabilidade social ante o clima instalado”, e especulava: a permanência do presidente obedeceria a um amplo pacto do establishment – “a classe política, o setor econômico e as cúpulas do Judiciário”.

Sem pretensão ao papel de pitonisa, não foi outra coisa que revelou o diálogo entre o ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a necessidade então imediata de afastar a presidente Dilma Rousseff e substituí-la pelo vice-presidente para “estancar a sangria” da Operação Lava-Jato.

A solução, para alcançar tal objetivo, seria, como disse Machado, “um grande acordo”, tendo Jucá completado: “com o Supremo, com tudo”. A não ser verdade, ou não havendo prova de que a maioria dos ministros da corte está envolvida na farsa, só restará ao STF, à semelhança do que fez com o ex-senador Delcídio Amaral, prender Jucá.

Delcídio citou nomes de dois ou três ministros que poderiam ajudá-lo na, digamos, Operação Cerveró. Jucá, ao contrário, referiu-se apenas ao “fechado” Teori Zavascki, deixando, portanto, em aberto, para a imaginação agora pública, os nomes dos que eventualmente colaborariam, ou seja, ficam os dez integrantes restantes do colegiado sob inominável suspeita.



A chance para Temer “examinar”

Data: 23/05/2016
15:59:48

O longo bate-papo vazado pela Folha de S. Paulo expõe, de forma clara, pela boca dos próprios interlocutores, o risco corrido por toda a alta cúpula da política brasileira: além de Temer, que, pelo visto (ou ouvido), comandaria a porcalhada, também Renan Calheiros, Aécio Neves, José Serra e Aloyzio Nunes Ferreira. De fora, só Eduardo Cunha, que “está morto”, segundo Jucá.

Temer nomeou Jucá pela sua “competência”, como afirmou ao Fantástico, da Rede Globo, quando prometeu também que “examinaria” o caso se o auxiliar ficasse mais enredado ainda nas malhas da Lava-Jato. Agora, com as bombásticas revelações, terá não só de examinar, como de exonerar o ministro.

Se não agir assim, será porque tem fortes motivos para recear que seu nome também desça a correnteza, e se mantiver Jucá, seguramente, seu incipiente governo perderá todas as condições de transmitir à sociedade a confiança indispensável à recuperação econômica do país.



Palavreado mostra que estamos lenhados

Data: 23/05/2016
15:57:29

Chamou a atenção na transcrição do áudio o extremo realismo com que os dois amigos abordaram a questão. Se Sérgio Machado “descer”, isto é, cair no foro curitibano do juiz Sérgio Moro, “aí fodeu para todo mundo”.

Da mesma forma, Jucá descartou – isto ainda no mês de março – a capacidade do ex-presidente Lula de contornar os problemas ao passar a chefiar a Casa Civil, porque só seria ouvido pela CUT e MST, já que “o resto, ninguém dá mais crédito a ele porra nenhuma”.

Ante o temor de Machado de que não ficasse “pedra sobre pedra” se o impeachment não saísse, Jucá aquiesceu, defendendo “uma coisa política e rápida”, mas desaconselhando um encontro de ambos com Renan Calheiros e José Sarney. Não chegou a verbalizar, mas deixou no ar a ideia de que pareceria uma reunião de quadrilha.



O rei em xeque

Data: 23/05/2016
15:55:31

De perfil, Temer se assemelha muito às imagens clássicas do cavalo do jogo de xadrez. E o pior é que está se movendo em L.



É Zagallo todo

Data: 23/05/2016
15:54:51

Aliás, o governo Temer recua mais que time pequeno da série B.



Cantanhêde sai do esquadro e dá uma de vivandeira

Data: 21/05/2016
15:16:07

A jornalista Eliane Cantanhêde é admirada no meio político e na imprensa política desde os tempos difíceis do regime militar, em que corajosos articulistas assinavam textos na página 2 da Folha de S. Paulo usando apenas as iniciais. Ela era, naturalmente, E.C., mas havia também o V.B.C. – Villas Bôas-Corrêa, mestre de gerações, entre outros nomes de expressão.

Conhece-se e respeita-se, no trabalho que hoje desempenha, também, na Globonews, seu antipetismo, que não seja de muito tempo, como dizem, mas pelo agora, quando o partido nascido dum sonho no ABC paulista exibe completa dissintonia com o que imaginava a sociedade ao corroborá-lo, elegendo Lula presidente da República em 2003.

O que não parece muito lógico e plausível no raciocínio da jornalista ultimamente é sua fixação por indispor o PT com o Exército, por duas razões fundamentais: a primeira é que o PT e o petismo, Lula e o lulismo, não representam quase nada, pouquíssimo deixarão de herança, a não ser o mais raso engodo em nome de uma luta visceral da humanidade pela dignidade social.

Pior, porém, é a evidente convalidação histórica, absolvendo-a, de uma força armada que, junto com as demais, é autora de uma intervenção desastrosa na história brasileira, sendo, portanto, apesar de liderar “pesquisas de credibilidade” ao lado da Igreja Católica, responsável pelo quadro de desgraça que se sucedeu no país.

“PT irrita o Exército”, disse a jornalista em sua coluna de sexta-feira, reproduzida na Bahia por A Tarde, ao referir-se a uma autocrítica furada e barata do PT por não ter “modificado o currículo de academias militares” e promovido “oficiais com compromisso democrático e nacionalista”. Ora, no poder, o PT não teve moral nem para publicar documentos da ditadura.

A sugestão do surgimento de “antipetismo no Exército” já seria uma densa demonstração de espírito submisso, mas Cantanhêde não deu trégua. Hoje, na mesma coluna, gaba-se de conversa sobre o tema com o comandante do Exército, que “não resistiu”, mesmo com o “silêncio e distância” dos militares “da crise política, econômica e ética”.

A mudez e a distância são mais que obsequiosas. Aeronáutica, Marinha e Exército só devem ser citados caso ameacem extrapolar de seu dever constitucional ou sejam convocados legalmente a cumpri-los. Fora disso, é bajulação que atinge as fronteiras do açulamento.

Ao regime militar de 21 anos que sofremos nada devemos em matéria de ética ou democracia. A lamentar, do ponto de vista mais elementar, temos os assassinatos, a tortura, a prisão, o banimento, o exílio de brasileiros, de simples operários aos cérebros mais privilegiados nas várias ciências. Queremos os militares nos quartéis, e fora deles as “vivandeiras impenitentes” citadas até pelo general Castello Branco.




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