Salvador, 20 de outubro de 2014

Da redução do saldo negativo na política

Data: 19/10/2014
15:16:22

Pouquíssimos saberão responder de bate-pronto qual foi, em Salvador, em 2010, a vantagem que o governador Jaques Wagner, disputando a reeleição, teve sobre seu principal adversário, Paulo Souto.

Foram exatos 626.188 votos, segundo dados do TSE. Wagner, que venceu aquele pleito com mais de 4 milhões e 100 mil votos em todo o Estado, conseguiu na capital 815.314 contra 189.126 de Souto.

Portanto, nos limites desta quadrissecular cidade, os 10.207 votos que, agora, Rui Costa alcançou sobre o mesmo Paulo Souto representam na verdade uma fragorosa derrota, produto, certamente, do trabalho realizado em dois anos pelo prefeito ACM Neto.

O resultado final significa que o prefeito não foi o grande eleitor estadual que se pretendia e cuja popularidade no interior era cantada em prosa e verso, e assim, se quiser reforçar o cacife para 2018, terá de dedicar-se com mais afinco ainda à missão que o povo lhe delegou em 2012.

Poderia começar, passada a compreensível etapa da emergência, a perseguir melhores resultados na pavimentação e seu uso, possivelmente o único serviço municipal que atinge 100% da população, pois todo mundo, de algum modo, circula.

Essa providência não contemplará apenas a ciência máxima da vida urbana – o trânsito –, mas também os “pequenos detalhes”, como buracos que duram meses e, sobretudo, renitentes tampões de esgoto rebaixados, com até um palmo de profundidade, no centro, orla, miolo e periferia.

O prefeito, que teve a quem puxar, deve ter refletido sobre os dados eleitorais, que tanto atormentam os políticos. Réveillon de sete dias é bom, mas nesta e noutras áreas ele vai precisar de apuro no trabalho e sinceridade na identificação com a massa se pretender ir adiante – e isso já em 2016.

Nomeação previsível

Data: 19/10/2014
15:13:50

Figura íntima da campanha, unha e carne, como se diz, com o governador eleito, Rui Costa, a quem assessorou na Casa Civil, Benito Brasileiro é nome certo para uma importante função no próximo quatriênio.

O político numa visão de dentro

Data: 19/10/2014
15:12:50

Experiente político aposentado, pois há os que deixaram a carreira sem adquirir experiência alguma, não faz um conceito muito lisonjeiro da categoria em que militou por vários mandatos como prefeito e deputado.

“São muitas legislaturas em que vejo reeleitos parlamentares que não dizem nada durante quatro anos nem apresentam um projeto que contemple a população. Isso não tem explicação do ponto de vista da representatividade”, argumenta.

Os predicados que enxerga para o exercício da atividade política são “ser maldoso, só pensar em si próprio e não falar a verdade”, entendendo que “a sociedade quer isso”, e as pessoas se queixam quando têm um pedido negado por aquele em que votou ou poderá votar.

Se o detentor de um mandato executivo ou legislativo se concentra em atuar no que supõe ser o interesse do povo, “se esquece dele próprio”. E, se resolver falar a verdade, “a primeira coisa que dizem é: ‘Ele não é político’”.

Uma tese: a convivência com a corrupção

Data: 18/10/2014
10:54:08

O jornalista da Folha de S. Paulo quis saber apenas se o governador Jaques Wagner, assim como a presidente Dilma Rousseff e o PT, via como “golpe” ou “calúnia” a confissão de crimes feita à Justiça por um acusado que foi diretor da Petrobras nos governos Lula e Dilma.

Depois de atribuir o fato à campanha eleitoral, na qual se estaria tentando criar “um palanque”, e proferir a estranha tese de que “a corrupção é um tema rejeitado pela população”, Wagner, ainda na primeira resposta, enveredou pelo que, na verdade, se atocaiava em seu raciocínio.

“Não reconheço em Aécio Neves alguém que possa dar aula de ética. O povo sabe que tem santo e diabo em todos os partidos. No meu e nos outros”. Pronto! Havia a “convivência com a seca”. O governador da Bahia inaugura agora a convivência com a corrupção.

Santo e diabo, no caso, são reles eufemismos. Wagner sabe que o que há no meio que frequenta são ladrões, é possível até que os conheça de longe, mas aceita esse quadro legalmente anômalo e, em última análise, dele se beneficia, porque, por exemplo, o caixa dois anônimo, feito à base de dinheiro público, se é de todos os partidos, é também daqueles que o apoiam.

Como Lula, que assumiu o comando do país à frente de uma avalanche popular que respondia ao discurso da ética, Wagner projetou inicialmente essa imagem, transfigurada, no entanto, ao ponto de, agora, ele entender que Aécio não é pessoa indicada para falar de ética. Ótimo. Sendo assim, ele não precisará, nesse aspecto, explicar o PT.

Wagner repetiu palavras com que passou a sintetizar o pensamento sobre muitas coisas, como “palhaçada” e “besteirol”, que nos tempos de lhaneza e serenidade não faziam parte de seu vocabulário. E disse ser falsa a fama de gestor de Aécio, que, “sem apreço pelo trabalho” e “passeando no Rio”, deixava o governo mineiro para o vice Antonio Anastasia.

A entrevista, segunda-feira passada, foi, de longe, o mais importante acontecimento político no Brasil em uma semana tão intensa, marcada por um debate presidencial sanguinolento e baixo. É lamentável que as declarações do governador não tenham tido na imprensa, por incompetência ou descompromisso, a dissecação pública que exigiam.

Mesmo a crítica eleitoral requer sobriedade

Data: 18/10/2014
10:49:24

A falta de uma crítica severa e clara a tal disparate, que talvez levasse o governador de volta ao centro, estimulou-lhe a reincidência, pois outra definição não cabe à nova investida perpetrada quinta-feira, quando questionou a capacidade do senador e ex-governador de exercer a presidência da República.

Não tanto pela dúvida em si, mas pela formulação: “Eu convivi com Aécio como deputado e não acho que ele é um cara que tenha pique para conduzir o Brasil. A pessoa pra conduzir um país como esse tem que se dedicar 24 horas por dia, 365 dias no ano. Esse não é o perfil dele. Todo mundo sabe, Minas sabe, todo mundo no Congresso sabe”.

Ao governador também não agrada o fato de o candidato tucano ser neto de Tancredo Neves, que o iniciou na política, o que lhe dá a condição, para ele menor, de “herdeiro”. Nem o suposto hábito pessoal de consumo de bebida alcoólica. “Ele bebe”, apontou Wagner, do alto de sua condição de abstêmio inveterado, de permanentemente sóbrio.

De olho em 2016

Data: 18/10/2014
10:47:39

Duas candidaturas a prefeito se projetam entre os agora eleitos para a Assembleia Legislativa: Jânio Natal, em Santa Cruz Cabrália, e Jurandy Oliveira, em Ipirá. Ambos são do PRP.

Jânio, que no Extremo Sul já foi prefeito de Belmonte e Porto Seguro, fechou acordo com a família Pinto para apoio recíproco, com Júnior Pinto disputando a Prefeitura de Porto Seguro contra a provável tentativa de reeleição da arquiadversária Cláudia Oliveira (PSD).

Chance para Bira

Data: 18/10/2014
10:46:33

Informa-se que o governador eleito, Rui Costa, pensa em levar para seu secretariado pelo menos um deputado estadual de sua bancada.

Isso daria lugar a que, como primeiro suplente da coligação, o deputado Bira Corôa, petista dos mais combativos e leais ao governo Wagner, permanecesse na Assembleia Legislativa em 2015.

Patente imexível

Data: 18/10/2014
10:45:33

O ex-deputado Capitão Tadeu lamenta que somente agora tenha sido promovido a major, quando muitos de seus colegas de turma já alcançaram a patente de coronel.

Mas a verdade é que, ainda que a Polícia Militar tivesse o posto de general e a ele conseguisse chegar, para a política Tadeu continuaria sendo o velho Capitão Tadeu.

Promessa federal

Data: 18/10/2014
10:43:17

Um novo parlamentar baiano em Brasília que tem tudo para ultrapassar a fronteira do baixo clero é Paulo Azi (DEM), eleito deputado federal com mais de 110 mil votos.

Azi conclui agora o terceiro mandato na Assembleia Legislativa, tendo, nestes 12 anos, se destacado pela capacidade de articulação e pelo bom desempenho no plenário.

Na sua legislatura de estreia, foi líder do governo Paulo Souto, exercendo também a liderança da oposição no segundo governo Jaques Wagner.

O cabelo de Marina

Data: 18/10/2014
10:41:35

O coque costumeiramente usado por Marina Silva era visto como um traço de personalidade, algo que remetia à imagem de uma beata e caracterizava sua condição de evangélica “fundamentalista”, um prato cheio para chargistas.

Em vista, possivelmente, da inexistência de outros atributos ou conteúdos que lhe pudessem ser focalizados e analisados, o penteado tornou-se uma obsessão muitas vezes silenciosa de quem nele enxergava um sintoma da retroação à Idade Média.

Eis que, agora, Marina reaparece de cabelos soltos, como não se tem lembrança de que tenha andado algum dia. Não exatamente soltos, mas contidos num rabo-de-cavalo em que a imprensa e as “redes sociais” viram sensualidade.

Na internet, as pessoas dando “a maior força” à “amiga”, para que passe a se apresentar daquela forma. Na primeira página de A Tarde, hoje, a foto, de Paulo Whitaker, do abraço de reencontro de Marina e Aécio Neves, em que ambos parecem preparar-se para um cinematográfico beijo.

É a crise

Data: 18/10/2014
10:40:02

Nota-se no comércio popular soteropolitano uma tendência à diversificação como fórmula de sobrevivência, incluindo principalmente o ramo alimentício.

Assim é que temos, em Itapuã, a Barbearia do Pão com Ovo, na Federação, o Lava-jato do Pirão, e a Bacalhau Motos, esta na Vasco da Gama.

Bloco reunirá três partidos na Assembleia

Data: 17/10/2014
09:27:28

Um almoço numa churrascaria na orla marítima selou ontem a montagem de um bloco reunindo na Assembleia Legislativa seis parlamentares de três partidos para a legislatura a ser iniciada em 1º de fevereiro de 2015.

Serão seus integrantes os deputados Sargento Isidório (PSC), Marquinho Viana (PV), Jurandy Oliveira (PRP), Jânio Natal (PRP), Vando (PSC) e Marcell Moraes (PV).

Algumas decisões importantes já foram tomadas, como o apoio à candidatura de Isidório à presidência da Casa e o exercício rotativo da liderança, havendo dois postulantes para o primeiro ano: os deputados Marquinho e Jânio.

A posição política da bancada ainda será discutida, pois os seis deputados disputaram as eleições em coligações distintas – um de oposição e outra de apoio ao governo estadual.

O presidente do PTC, Rivailton Pinto, um dos articuladores do bloco, informou que se trata de um grupo que inclui, além da sua, outras legendas coligadas que não elegeram deputados: PTdoB, PSDC e PPS.

Petista quer debate sobre controle da mídia

Data: 16/10/2014
11:29:57

Inconformado com o tratamento, para ele discriminatório, que a Rede Globo vem dando à campanha presidencial, o líder do PT na Assembleia Legislativa, Rosemberg Pinto, anunciou que, após as eleições, será necessário retomar o debate do controle dos meios de comunicação.

“Lamento que a Globo, nos seus noticiários, use pelo menos metade do tempo para fazer campanha para o candidato Aécio Neves”, afirmou o parlamentar, defendendo o “enfrentamento direto a essa mídia que só tem servido às elites, a uma pequena parcela da sociedade, e que não quer a melhoria de vida da maioria dos cidadãos brasileiros”.

Rosemberg destacou o papel compensatório que estariam exercendo as redes sociais e o horário eleitoral obrigatório, entendendo que a imprensa em geral, “coordenada pela Globo, se posiciona duma forma que desmonta o processo da democracia”.

O discurso foi apoiado ironicamente pelo correligionário Zé Raimundo, para quem deveria ser feita “uma grande campanha nacional para que a Rede Globo receba imediatamente do TSE um título ou um registro de partido político e coloque alguns de seus comentaristas e âncoras como candidatos a presidente, vice-presidente”.

Surpresa no cancelamento de entrevistas

Data: 16/10/2014
11:28:08

Crítico contumaz e antigo da emissora, como se pode comprovar nos arquivos, este blog chama a atenção para o estranho cancelamento das entrevistas que os candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves dariam na próxima semana na Globo, fato que requer completo esclarecimento.

Sabe-se apenas que não houve um acordo sobre a duração das entrevistas porque se postulou a exclusão do tempo das perguntas ao tempo total da participação de cada candidato.

Ora, esse é um pedido dos mais justos, haja vista que, em edições anteriores, os jornalistas falavam demasiadamente e, por consequência, restringiam a seu bel-prazer o tempo para as respostas, tendo sido a presidente Dilma a mais prejudicada nesse aspecto.

O correto, portanto, se os objetivos da emissora são conquistar audiência e propiciar a discussão de ideias que possam melhorar o Brasil, seria a Globo instruir os entrevistadores a falar menos e permitir que os convidados desenvolvam com liberdade seu raciocínio.

A nação, que acompanha com atenção os lances finais da campanha e aparentemente se divide entre as duas opções, agradeceria se pudesse ser mais amplamente informada sobre os motivos que levaram ao cancelamento.

No clima de mentira, conspiração, subterfúgio e golpes baixos que vêm caracterizando a democracia brasileira, especialmente nos períodos eleitorais, é lícito supor, por exemplo, que a Globo, detentora inegável do maior público telespectador, está satisfeita com as tendências atuais e quer manter o processo em fogo brando.

Num tempo em que Brizola lutava sozinho

Data: 16/10/2014
11:25:17

Toda justiça que se queira fazer a Leonel Brizola, como sua pretendida inscrição no Livro dos Heróis da Pátria, no qual figuram de Tiradentes e Santos Dumont, será tardia.

De volta ao Brasil em 1979, encontrou firme obstáculo na Rede Globo – que era na época, como ainda deseja ser, a “dona” da opinião pública – ao demonstrar sua disposição de defender a causa nacionalista e trabalhista que sempre o orientou, sendo por isso obrigado a um exílio de 15 anos.

A guerra que empreendeu contra o magnata Roberto Marinho não teve, no entanto, a solidariedade dos demais segmentos ditos democráticos, que preferiram, de forma oportunista, fechar os olhos e permitir que um homem público inatacável fosse perseguido e, afinal, destruído.

Brizola tinha história, Lula ainda estava começando a sua, o que não impediu o líder emergente da elite operária paulista, a bordo do também nascente PT, de identificar o ex-governador gaúcho como representante do peleguismo sindical e do populismo, atacando a memória do presidente Getúlio Vargas.

Sabemos que aquela divisão nas forças populares, imposta sobre conceitos falsos – hoje o PT, que condenava, usa as conquistas sociais de Vargas como exemplo –, causou um atraso irrecuperável à luta do povo brasileiro por sua formação, dignidade e independência.

“Brizola é capaz de pisar no pescoço da mãe para ser presidente”, palavras que vale recordar, ditas, então, pelo Lula que só depois viríamos a conhecer.

Proposta é de deputado pedetista gaúcho

Data: 16/10/2014
11:22:12

Entretanto, em homenagem ao saudoso compatriota, não deixemos de registrar a notícia, amplamente divulgada pela imprensa. O autor da proposta, que ainda carece de ajustes da legislação para ser viabilizada, é o deputado gaúcho Vieira da Cunha (PDT).

Na justificativa, lembrou que Brizola, quando governador do Rio Grande do Sul, liderou o movimento para que o vice-presidente João Goulart, rejeitado pelas elites e pelas Forças Armadas, assumisse a Presidência da República após a renúncia de Jânio Quadros em 1961.

Ressaltou também a luta de Brizola contra o golpe que derrubou Goulart em 1964 e o seu empenho na campanha pelas eleições diretas para presidente, após a anistia, no início da década de 80.

O deputado citou ainda o fato de Brizola ter sido o único político eleito pelo voto direto a governar dois Estados – Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, este último por dois mandatos.

Lançada trilogia de Wilson Lins

Data: 16/10/2014
11:20:56

Em parceria com a Academia de Letras da Bahia, a Assembleia Legislativa lançou mais três livros da coleção Mestres da Literatura Baiana: “Os Cabras do Coronel”, “O Reduto” e “Remanso da Valentia”, todos de autoria do escritor, jornalista e político baiano Wilson Lins, falecido em 2004, e tendo como cenário a região do Médio São Francisco.

O presidente da Academia, Aramis Ribeiro Costa, destacou Wilson Lins – que ocupou a cadeira 38 de instituição – como “um dos mais importantes romancistas baianos, o que justifica sua inclusão na coleção, que contempla todos os gêneros literários e autores vivos ou mortos, com base na qualidade da obra e importância na literatura baiana”.

Progresso

Data: 16/10/2014
11:18:04

Contando as semifinais da Copa do Mundo, a nova Era Dunga já reduziu a menos 1 o saldo negativo de gols da Seleção.

Leis para proteger, e não eleger mulheres

Data: 16/10/2014
11:16:32

De irresistível vocação para a criação de leis sem razão e sem futuro, o Brasil viu-se agora, passadas as eleições, com mais um exemplo dessa perda de tempo e diversionismo: a cota feminina de 30% nas chapas proporcionais.

Preenchidas a vagas por mero ato burocrático, o resultado é que na Câmara dos Deputados as parlamentares eleitas não chegam a 10% num plenário de 513 cadeiras, enquanto apenas cinco alcançaram a vitória na disputa pelas 27 vagas do Senado. Na Bahia, sete foram eleitas para a Assembleia, contra dez em 2010.

Sobrou, portanto, aos legisladores, a determinação de fazer o proselitismo do politicamente correto, e faltou a compreensão para a contemporaneidade, em que, no campo da inteligência e da participação, não há diferença de gênero.

Isso ocorreu porque não há relação direta entre quantidade de postulantes e o sucesso nas urnas de um segmento. Os votos premiam os que sabem e podem correr atrás deles. Se menos mulheres competentes o estão fazendo, cabe avaliar a motivação desse distanciamento, e não pretender moldar a realidade.

As mulheres no Brasil, desde as lutas libertárias modestas do início do século XX e das conquistas extraordinárias que se verificam a partir de 50 anos atrás, só têm feito avançar no plano profissional e também no político.

A esse processo natural não corresponderam, tristemente, as relações de humanidade na própria sociedade e no ambiente doméstico, nos quais elas continuam, por força de uma diferença física não regulada, sendo as grandes vítimas.

Precisamos de leis que eventualmente corrijam distorções num ou noutro aspecto, mas a necessidade maior mesmo é de iniciativas realmente eficazes no combate e punição à violência que crescentemente aflige o sexo feminino.

Leitor agradece nota sobre homicídio

Data: 16/10/2014
11:12:42

O leitor Jônatas Costa, filho do vereador Carlos Romeu Costa (PDT), de Aporá, enviou e-mail a Por Escrito agradecendo matéria sobre o assassinato do pai, o que registramos, contra nossa prática, pelo fato de ter sido uma ocorrência contra a vida ainda sem o devido esclarecimento.

“Pelo menos esse blog, tido como um meio de comunicação e informação do nosso Estado, não se calou”, afirmou Jônatas, para quem houve “um crime político”, e não latrocínio, já que nada foi levado da vítima, tendo havido apenas a execução, num posto de combustíveis na BR-324.

“Meu pai era um político respeitado, digno, que mantinha uma harmoniosa amizade com todos, fossem esses seus eleitores, parceiros ou adversários, e estava cotado para ser presidente da Câmara de Vereadores”, disse o leitor.

A perspectiva de compor a chapa majoritária em 2016, como candidato a vice-prefeito, pode ter sido um dos deflagradores do crime, na opinião de Jônatas, que citou também a atuação de Romeu na crítica e nas denúncias que fazia contra a atual gestão, do prefeito João Ferreira da Silva Neto (PR).

Ironia em excesso

Data: 16/10/2014
11:09:44

Nos meios políticos, entende-se que o candidato Aécio Neves não foi bem orientado por seu marketing quanto ao sorrisinho cínico que exibiu em grande parte do debate com Dilma Rouseff na TV Bandeirantes.

A ironia é ingrediente nesse tipo de confronto, mas de forma exagerada tira pontos. A essência que um candidato a presidente deve transmitir – entendem os especialistas – é de seriedade sem afetação.

Dilma aproveita brechas e vai no essencial

Data: 14/10/2014
15:04:12

Os fatos demonstram que, na maioria dos casos, é nos últimos dias que o eleitor escolhe em quem vai votar. Numa disputa presidencial com dois candidatos, que demanda e sugere grande responsabilidade, esse princípio em geral prevalece.

Nesse particular, papel decisivo terá a propaganda na TV, tendo sido a rodada de ontem um indicador dos tons e dos terrenos em que se darão as encarniçadas batalhas finais.

O programa de Dilma Rousseff trouxe uma peça, já divulgada anteriormente, em que o ministro da Fazenda anunciado previamente por Aécio Neves – o "temível" Armínio Fraga – diz não saber “o que vai sobrar” depois de aplicado seu pensamento sobre os bancos públicos.

Em recente comentário, estranhamos que um político experiente da cepa de Fernando Henrique Cardoso tivesse enveredado por um tema – a ignorância popular – tão claramente passível de contra-ataque, inclusive com distorções.

Agora, é o caso de matutar sobre o que levou Aécio Neves a assumir com tanta antecedência um compromisso ministerial. Quando o fez, estava muito mal na campanha, e talvez precisasse de uma bravata, uma surpresa que o projetasse na mídia. Não contava com a reviravolta e a saia-justa em que se meteu.

A Caixa Econômica, principalmente, é a instituição secular por onde passa a política social do governo, e Dilma falou em coisas palpáveis – como valor da prestação da casa própria e financiamento estudantil – para traduzir o que Aécio quis dizer com “medidas impopulares”.

A presidente interpretou com bélica precisão gramatical a fala do adversário: medidas impopulares são medidas contra o povo. O fundamento suficiente para concluir que Aécio e seu bando de tucanos representam “o governo de uma elite para as elites”.

Aécio não viverá de Marina e família Campos

Data: 14/10/2014
15:00:08

Ao forte apelo da adversária, Aécio respondeu com programas importantes, que não poderiam perder a temporaneidade.

O apoio explícito de Marina Silva e a festa em Recife com a família do falecido ex-governador Eduardo Campos são dois eventos de significado e de alto impacto na campanha.

O ato protagonizado sábado por João Campos, lendo a carta da viúva Renata, deverá, de fato, representar muitos votos.

A força póstuma de Campos elegeu o governador Paulo Câmara e fez de Marina a vencedora no Estado, com 48% dos votos. Aécio ficou com 6%, sendo indiscutível que em muito elevará essa taxa com o upgrade que a campanha terá.

Por outro lado, o discurso de pura reverência à democracia e à sinceridade proferido por Marina ao declarar o voto no tucano é movimento de dimensão nacional, que não se reduz por eventuais defecções no PSB e na virtual Rede Sustentabilidade.

Vale, no momento, o emblema da seringueira, não o esperneio de desconhecidos – exceção feita, por dever e respeito, ao destronado Roberto Amaral.

Emoção, como já se provou no primeiro turno, é combustível não-renovável, pelo menos com as mesmas fontes. Para enfrentar o furacão Dilma, Aécio precisará de mais que “a garra e energia” de Pernambuco e o sonho verbalizado por Marina.

Turismo religioso

Data: 14/10/2014
14:56:53

No discurso com a família Campos, Aécio se referiu ao “solo sagrado de Pernambuco”. Só se for Nova Jerusalém.

Pensamento do dia

Data: 13/10/2014
10:06:05

Entre o PT e o PSDB, o eleitor brasileiro está como Cristo no Calvário.

Dilma luta contra números e percentagens

Data: 13/10/2014
10:05:22

“Não acredito em transferência automática de votos”, afirma a presidente Dilma Rousseff, sobre a possibilidade de os eleitores de Marina Silva optarem por Aécio Neves no segundo turno.

Realmente, esse é um fenômeno raro de se ver, embora ocorra vez por outra. Em 1989, os votos obtido por Leonel Brizola no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram, digamos, aritmeticamente dados a Lula no segundo turno presidencial contra Fernando Collor, o vencedor.

Um exemplo mais recente: na eleição municipal de 2008, o candidato ACM Neto conseguiu transferir ao então prefeito João Henrique a votação do primeiro turno.

João e Walter Pinheiro tinham atingido a casa dos 30%, enquanto Neto ficou em terceiro, com 27%. No segundo turno, depois de Neto dizer “sim a João”, este ganhou com 54% dos votos.

Há uma diferença fundamental entre os dois episódios: Collor vencera o primeiro turno com 12 pontos de frente e não foi possível tirar a diferença. Já em Salvador, o empate dos dois primeiros sugeria a indefinição do eleitorado.

No caso atual, em números exatos, Dilma teve 41,6% e Aécio ficou oito pontos abaixo. A questão é que Marina Silva alcançou votação de 21,3%, mais de duas vezes e meia maior que a vantagem de Dilma.

De fato, não haverá “transferência automática”, porque o perfil do eleitorado de Marina indica que uma parte não estimada, pela origem petista, preferirá Dilma.

Mas a campanha da presidente não poderá desprezar dados críticos que indicam vontade de mudança. Juntos, Aécio e Marina estão com 13,3 pontos de dianteira. Somados os candidatos “nanicos”, essa faixa se amplia para 16,8 pontos.

Todos nós temos de engolir as urnas

Data: 13/10/2014
10:02:25

Vemos com embevecido romantismo as narrativas sobre velhas lutas políticas do Brasil – a Coluna Prestes, a Revolução de 30, a eleição pós-Getúlio Vargas em 1945, a volta de Getúlio até o suicídio, a renúncia de Jânio Quadros, a deposição de João Goulart em 1964, a longa ditadura, a redemocratização.

Apenas não nos damos conta de que, no presente momento, temos um embate de certa forma semelhante a tantos outros que vivemos no passado, de definição do futuro, e que hoje são vistos com paixão nos livros de história e por meios mais difusos, como a imprensa.

Estamos de novo, mas sem essa paixão toda, frente a frente com a realidade, agora na suposta plenitude democrática. Forças contrárias se conflitam, desta vez cabendo ao povo informado pela grande mídia e pela internet escolher o caminho que julgue melhor para o país.

Não adianta verberar contra as urnas, o resultado que delas sair será aquele que representará a vontade da maioria da população, sejam quais forem os fatores pelos quais tenham sido influenciados grupos ou indivíduos da sociedade.

Cada um sabe onde lhe dói – fisicamente, emocionalmente, socialmente. Às vezes, irrompe o ímpeto de não compreender como a vida e a história se processam, mas é bom que os pés logo voltem ao chão.

Em última análise, nos dias atuais, as pessoas, na grande maioria, votam pelo seu sentimento, descontadas as parcelas ainda expressivas dos que querem identificar raízes ideológicas ou utopias no processo.

O PMDB está onde sempre esteve

Data: 13/10/2014
09:59:29

O PMDB esteve dividido, neste e em governos passados, o que não impediu que suas duas bandas sempre se acochambrassem nos meandros do poder.

Não chega, por isso, a ser uma surpresa a declaração do líder na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de que não vê “dificuldade nenhuma de se posicionar em apoio a um futuro governo Aécio”.

Isso é da vocação e, mais ainda, da predestinação do partido, que nasceu misturado e, pelas características da política brasileira, assim permanecerá pela eternidade.

Tanto que a bancada reúne-se hoje e não deverá tomar posição por nenhum dos dois candidatos a presidente, apesar de ser um peemedebista histórico, Michel Temer, o vice de Dilma.

O que há a destacar é o mau sintoma que suas palavras representam para a reeleição da presidente. É verdade que Cunha nunca foi aliado do Planalto, mas a naturalidade com que fala do “governo Aécio” é de arrepiar.

Leitor abre o leque sobre a ignorância

Data: 13/10/2014
09:56:52

A respeito do texto “Sobre a ignorância que não se pode negar”, do dia 11, o leitor Mário Santana, considerando o tema “um terreno complicado” e temendo que Por Escrito corra “o risco de cair na superficialidade”, faz questionamentos que transcrevemos na íntegra:

“O problema é definir o que é a ignorância ou quem é o ignorante. Seriam os pouco letrados, como Lula, Gregório Bezerra, Patativa do Assaré, Homero...?

“Seriam aqueles que votam levando em conta políticas públicas que lhes favoreçam, como os beneficiados pelo Bolsa Família, por um salário mínimo melhor?

“Seriam os preconceituosos, aqueles que desprezam pobres, negros, nordestinos, domésticas?

“Os intelectuais leitores da Veja – a bíblia do senso comum – seriam cidadãos bem informados?

“FHC, Delfim Netto, José Guilherme Merquior e Carlos Nelson Coutinho têm/tinham pensamentos absolutamente divergentes, mas todos eles respaldam/respaldaram de algum modo as alternativas anteriores. E aí, há ignorância neles?”

Epigrama

Data: 13/10/2014
09:54:03

Viadutos, avenidas,
Deu Wagner à Bahia.
Difícil é curar feridas
Dessa tal terceira via.

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