Marcha de prefeitos é nova etapa na briga entre PT e PMDB

Num dos auges da briga, o ministro chegou a publicar artigo na imprensa colocando à disposição os cargos que tem no governo estadual. Claro que não tomou a iniciativa da exoneração documental porque no fundo não quer perder a máquina que tem nas mãos. Já o governador Jaques Wagner não pensa na demissão coletiva porque nem de longe que ser o detonador de uma crise que venha a envolver nacionalmente os dois partidos. Sabe que Dilma, ou quem quer que seja, vai precisar do PMDB para vencer a eleição.

 

CLIMA PIORA, GARANTE PEEMEDEBISTA

 

Uma alta fonte do PMDB, que pediu reserva de seu nome, confidenciou a "Por Escrito" que "o clima está cada vez pior", fazendo questão de atribuir aos petistas a culpa nos diversos episódios de confronto entre as duas legendas. Se na disputa pela cadeira de conselheiro do TCE, em 2007, o partido terminou reconhecendo a precedência do PT, que emplacou o deputado Zilton Rocha, o mesmo não se pode dizer da eleição para prefeito de Salvador, realmente um divisor de águas na história da aliança.

O PT, julgando frágil a candidatura de João Henrique, tachada de "natural" pelo próprio governador, já que, afinal, tratava-se de um projeto de reeleição, tentou tomar conta da situação. Enfrentou um ministro Geddel disposto a delimitar seu território e acabou, no segundo turno, sofrendo fragorosa derrota, com a participação dos históricos adversários do DEM ao lado do prefeito.

Em seguida vieram, quase simultaneamente, as eleições para a UPB e para a Mesa da Assembleia Legislativa. No primeiro caso, assegura a fonte peemedebista, o governador Wagner foi comunicado da candidatura do prefeito de Bom Jesus da Lapa, Roberto Maia, do PMDB, e disse que seria "um ótimo nome". Depois apareceu o petista Luiz Caetano, de Camaçari, para medir forças.

Na disputa da Assembleia, a situação já estava agravada a tal ponto que Wagner não quis reconhecer o "direito" de o PMDB indicar o candidato da base governista, e fixou-se no nome do fiel e leal Marcelo Nilo (PSDB). A bancada do PT reuniu-se para apoiar Nilo oficialmente e criou o fato consumado, afastando a possibilidade de eleger Arthur Maia (PMDB), que já havia muito tempo não gozava da confiança do governador.

Houve quem tentasse, na base do "dos males o menor", um acordo que salvasse os dedos, já que os anéis estavam irremediavelmente perdidos. Mas o PT teria endurecido a posição e foi à luta. "Veja", disse a fonte, "que foram do PT e do PMDB, cada um de um lado, os votos que faltaram para a eleição de Fátima Nunes e Leur Lomanto", numa referência ao fato de que Fátima, do PT, perdeu a primeira vice-presidência para Rogério Andrade, do DEM, e o líder do PMDB, Leur Junior, foi derrotado por Roberto Carlos, do PDT, para a primeira secretaria).

 

PREFEITOS QUEREM GEDDEL GOVERNADOR

 

A marcha dos prefeitos é mais uma situação em que o PMDB acusa o PT de manipulação para jogar lenha na fogueira da crise. "O PT politizou a questão", disse a fonte. "A movimentação da UPB começou muito antes de Lula anunciar as medidas para minimizar o problema dos municípios. Não era um movimento contra Lula ou Wagner, mas apenas a ação legítima de uma entidade para chamar a atenção para a gravidade do momento".

Segundo a fonte, após a "radicalização" do PT, que atribuiu a Wagner a pressão para que os prefeitos aliados não participassem da marcha "e depois recuou", políticos oposicionistas, entre eles o ex-governador Paulo Souto, o deputado ACM Neto, ambos do DEM, e o senador César Borges (PR), tiveram o espaço necessário para "faturar".

Os tambores de guerra estão batendo cada vez mais forte no interior, onde os prefeitos e lideranças do PMDB nos pequenos municípíos desejam cada vez mais o lançamento da candidatura de Geddel ao governo do Estado. "O ministro pode tentar o Senado ou governo. Uma ala crescente no partido o quer governador, mas isso vai depender da questão nacional. O partido é muito grande a está dividido entre Serra e Dilma", concluiu a fonte.

 

Luís Augusto Gomes - Por Escrito

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