Debate pode ter nível melhor que o da música


Embora nossa visão seja de que contra o projeto cabe questionamento de constitucionalidade, é forçoso reconhecer que a deputada luta pelo que entende ser de seu dever defender. Ela não tenta proibir o gênero musical, mas impedir que o Estado, guardião dos direitos individuais, financie o exercício da mais pura apelação sexual, reduzindo a mulher à condição de objeto.


O cantor defende-se com boa argumentação. Acha que a deputada faz jogo de cena para aparecer na mídia, visando a interesses político-eleitorais. É uma crítica e, talvez, uma denúncia verdadeira. Diz mais Robbyssão: o projeto está promovendo o pagode e isso vai atrair mais público, gerando mais oportunidades de trabalho para os músicos e cantores.


Entretanto, o artista não soube separar sua - vá lá - arte da realidade social sob a qual todos vivemos e que estabelece normas e limites para que o respeito mútuo e os direitos da coletividade prevaleçam. Foi uma agressão à dignidade de Luiza a sugestão jocosa para que agisse como as mulheres focalizadas em suas letras.

Luís Augusto Gomes - Por Escrito

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